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Durante muito tempo, eu também fazia desejos.
“Quero publicar um livro.”
“Quero escrever com mais consistência.”
“Quero que este seja finalmente o ano.”
Tudo mudou no dia em que deixei de pedir desejos — e comecei a definir objetivos.
Porque um desejo é algo que esperamos que aconteça.
Um objetivo é uma decisão acompanhada de ação.
“Quero publicar um livro” é um desejo.
“Enviar um manuscrito a uma editora até 31/12/2026” é um objetivo.
E quando existe um objetivo, surge inevitavelmente a pergunta que muda tudo:
o que preciso de fazer para lá chegar?
Planear não é engessar a criatividade
Há um mito persistente entre escritores: o de que planear mata a criatividade.
Na prática, acontece o oposto.
O planeamento não serve para te prender — serve para te dar direção.
É o que transforma energia dispersa em movimento real.
Quando tens metas claras (mesmo flexíveis), torna-se mais fácil:
✔ enfrentar bloqueios criativos com estratégia, não com culpa;
✔ medir progresso ao longo do tempo;
✔ manter alguma consistência, mesmo em fases exigentes;
✔ equilibrar escrita com trabalho, família, saúde e vida real.
Planear não é escrever tudo antes.
É saber para onde vais, mesmo que mudes o caminho.
De desejo a objetivo (e de objetivo a plano)
Um bom objetivo de escrita é:
✔ claro
✔ mensurável
✔ realista
✔ adaptável
Exemplos:
— Escrever 500 palavras por dia durante três meses
— Terminar o primeiro rascunho até junho
— Rever um manuscrito completo até ao final do ano
— Enviar textos para dois concursos literários
O objetivo não precisa ser perfeito.
Precisa apenas de ser concreto o suficiente para orientar decisões.
Subdividir é o que torna o impossível possível
Objetivos grandes assustam quando ficam sozinhos.
“Escrever um romance” é pesado.
“Escrever este capítulo esta semana” é possível.
Como subdividir um objetivo anual:
Objetivo principal:
Concluir um romance de 80.000 palavras até dezembro de 2026.
Divisão mensal (são apenas exemplos):
✔ Janeiro: estrutura geral e esboço
✔ Fevereiro–Março: primeiros capítulos (ou 25% do livro)
✔ Abril–Julho: desenvolvimento (ou até 75% do livro)
✔ Agosto–Outubro: final do rascunho
✔ Novembro–Dezembro: revisão e preparação
Divisão semanal:
✔ definir cenas
✔ desenvolver personagens
✔ escrever X palavras
✔ rever capítulos específicos
Tarefas diárias (simples):
✔ escrever 300 palavras
✔ rever uma cena
✔ fazer pesquisa pontual
Sugestão: Não definas mais do que 3 tarefas por dia. O objetivo é avançar, não esmagar-te.
Acompanhar progresso sem te perderes no processo
Acompanhar não é vigiar.
É ganhar consciência.
Algumas formas simples:
— diário de escrita (palavras, tempo, sensação)
— registo semanal (o que fiz / o que funcionou / o que não)
— ferramentas simples: caderno, agenda, Excel, Google Sheets, planner
Avalia mensalmente:
— O que avancei?
— O que ficou por fazer?
— Porquê?
— O que precisa de ajuste?
Flexibilidade não é falha.
É maturidade criativa.
A importância da verificação a meio do caminho
Planear não termina em janeiro — e definir objetivos não é um contrato imutável.
Uma das etapas mais importantes (e mais ignoradas) do planeamento é a verificação a meio do ano.
Parar, olhar para o caminho percorrido e perguntar:
— O que está a andar?
— O que ficou mais difícil do que eu previa?
— O que mudou na minha vida desde que defini estes objetivos?
Porque, muitas vezes:
✔ subestimamos o tempo que certas tarefas exigem;
✔ surgem imprevistos noutras esferas da vida (família, trabalho, saúde);
✔ a energia disponível não é a mesma ao longo do ano;
✔ o próprio projeto revela complexidades que só se tornam visíveis quando começamos a escrever.
Isso não significa que falhaste.
Significa que agora tens mais informação do que tinhas no início.
Reavaliar não é desistir — é ajustar com consciência.
Talvez percebas que:
✔ terminar o livro para enviar a editoras já não é realista este ano;
✔ mas terminar o primeiro rascunho ainda é perfeitamente possível;
✔ ou que o foco precisa de passar de quantidade para qualidade;
✔ ou que precisas de mais tempo para aprender antes de avançar.
E tudo isso continua a ser progresso.
Um objetivo ajustado continua a ser um objetivo.
Um plano redefinido continua a ser um plano.
O erro não está em mudar o caminho.
O erro está em insistir num objetivo que já não corresponde à tua realidade — e depois culpar-te por isso.
A verificação a meio do ano serve exatamente para isto:
✔ proteger a tua motivação;
✔ evitar frustração acumulada;
✔ manter a escrita viva, mesmo quando o plano inicial já não encaixa.
Às vezes, o maior sucesso de um ano não é chegar onde queríamos — é não abandonar o caminho quando percebemos que precisamos de o redesenhar.
Planeamento criativo: escrever também é viver
Planear escrita não é só contar palavras.
Inclui também:
✔ leitura para inspiração
✔ pesquisa e brainstorming
✔ cursos, workshops, grupos de escrita
✔ pausas conscientes
A escrita cresce quando a vida respira.
O mais importante: intenção antes de perfeição
Se no final do ano:
✔ mantiveste a intenção,
✔ voltaste ao texto depois de parar,
✔ aprendeste algo sobre o teu processo,
✔ foste honesta contigo,
então houve progresso — mesmo que os resultados não sejam os que imaginavas.
Por agora, fica com isto:
👉 planear não é controlar o futuro — é cuidar do presente.
Se quiseres apoio para definir objetivos realistas, criar um plano adaptado à tua vida ou acompanhar o teu processo de escrita ao longo do ano, podes sempre marcar uma sessão gratuita comigo. Planeamos juntas — com clareza e sem culpa.
Sessão de Apresentação Gratuita
30 minutos