Como Escolher a Editora Certa para o Teu Manuscrito

Terminas-te o teu livro. E agora?

Concluir um manuscrito é apenas o início de uma nova fase: a publicação.

Mas antes de começares a enviar o teu livro para todas as editoras que conheces, vale a pena parar um momento e perceber quais são as opções disponíveis e qual faz mais sentido para ti e para a tua história.

Existem diferentes formas de publicação que funcionam de maneira diferente e contratos que oferecem condições diferentes. E nem todas as editoras são adequadas para todos os géneros literários.

Primeiro: como queres publicar?

Antes de escolher uma editora, precisas de perceber qual o caminho de publicação que procuras.

1. Publicação Tradicional

É o modelo mais conhecido.

Submetes o manuscrito a uma editora tradicional e, caso seja aceite, a editora assume os custos e a gestão do processo editorial.

Normalmente trata de:
— edição
— revisão
— capa
— paginação
— impressão
— distribuição
— ISBN
— depósito legal
— parte da promoção

Em troca, o autor cede os direitos de autor para exploração da obra através de contrato.

As percentagens que o autor recebe variam, mas rondam frequentemente os 8% a 10% do preço de capa nos livros físicos.

Para submeter um manuscrito, é habitual serem pedidos:
— manuscrito completo ou parte do manuscrito
— sinopse
— biografia do autor
— por vezes uma carta de apresentação

A principal vantagem é não existir investimento financeiro por parte do autor. A principal dificuldade é conseguir ser selecionado.

Atenção: Se a editora vos pede dinheiro ou a compra de x livros para publicar, então não é publicação tradicional.

2. Edição a Pagamento

Neste modelo, a empresa publica o livro mediante pagamento do autor.

O que está incluído varia bastante de empresa para empresa.

É importante analisar cuidadosamente:
— o contrato
— os serviços incluídos
— a qualidade da revisão
— a qualidade da edição
— a distribuição
— o marketing

Muitas vezes o investimento é elevado e os direitos de autor continuam a ser cedidos, sendo o valor que recebe por capa muitas vezes o mesmo do que numa editora tradicional.

Por essa razão, aconselho sempre uma análise muito cuidadosa antes de avançar. Ler os livros publicados por aquela editora já vos pode ajudar a perceber se têm a qualidade que vocês esperam que o vosso tenha. Se nenhum livro daquela editora é conhecido, pode ser mesmo que o trabalho de marketing o faça exclusivamente o autor. Precisas de te perguntar se é isso que queres para o teu livro.

Neste caso, o cliente para estes editores não é o leitor, mas sim o escritor e os “sim”s são mais frequentes.

3. Prestadoras de Serviços Editoriais

Neste caso, o autor contrata serviços específicos para publicar a obra. A Prestadora de Serviços Editoriais pode até fazer todo o processo que uma editora tradicional faz, por um valor como a Edição a Pagamento, no entanto, os direitos permanecem com o autor.

Normalmente podem incluir:
— capa
— revisão
— paginação
— distribuição digital
— impressão por encomenda

Algumas oferecem também edição, mas frequentemente como serviço adicional.

A percentagem recebida pelo autor costuma ser superior à da publicação tradicional, mas o investimento inicial também tende a ser maior.

4. Autopublicação

Na autopublicação, o autor assume o controlo total do processo.

Isso significa tratar ou contratar:
— edição
— revisão
— capa
— paginação
— publicação
— marketing
— ISBN
— depósito legal

Em compensação, mantém o controlo da obra e recebe uma percentagem significativamente maior por venda.

É uma solução que exige mais trabalho e muito investimento, mas que pode ser muito interessante para determinados projetos.

5. Apenas Impressão

Nem todos os livros precisam de chegar ao mercado.

Por vezes o objetivo é simplesmente criar uma edição para a família, amigos ou memória pessoal.

Nesse caso, pode fazer mais sentido recorrer apenas a um serviço de impressão.

Pagas as cópias pretendidas e recebes os exemplares sem necessidade de distribuição comercial.

Como escolher uma editora?

Depois de perceberes qual o modelo de publicação que procuras, chega a altura de escolher a quem vais enviar o manuscrito.

E aqui existe um erro muito comum: Enviar o livro para todas as editoras possíveis.

Antes de enviares qualquer coisa, faz pesquisa.

Pergunta-te:
— Esta editora publica o meu género?
— Publica autores portugueses?
— Publica novos autores?
— O meu livro encaixa no catálogo deles?

Uma das formas mais simples de começar é observar livros semelhantes ao teu. Pega em alguns livros de que gostes e verifica quem os publicou.

Se escreves fantasia, procura editoras que publiquem fantasia. Se escreves romance histórico, procura editoras que publiquem romance histórico.

Quanto maior for a afinidade entre o teu manuscrito e o catálogo da editora, maiores são as probabilidades de o teu trabalho despertar interesse.

Onde encontrar esta informação?

Muitas editoras explicam claramente nos seus sites:
— os géneros que publicam
— as regras de submissão
— os períodos de receção de manuscritos

Também podes explorar as diferentes chancelas dos grandes grupos editoriais. Cada grupo possui várias chancelas com focos editoriais diferentes, nem todos publicam o mesmo tipo de livros.

Por exemplo:

— Grupo LEYA: https://www.leya.com/marcas#8
— Penguin Random House: https://www.penguinrandomhousegrupoeditorial.com/pt/chancelas/
— Porto Editora: https://www.portoeditora.pt/sobre-nos/edicoes-literarias
— Grupo BertrandCírculo: https://www.grupobertrandcirculo.pt/ (parte do grupo Porto Editora, mas para ver chancelas mais ao detalhe)
— Grupo Editorial Presença: https://www.presenca.pt/pages/sobre-a-presenca?srsltid=AfmBOooydyx1X_kgcyLud59cKOjkmcCaP6My51iponUR_bGHW7Yz3ZLg

Como enviar o manuscrito?

Depois de escolheres as editoras adequadas, lê cuidadosamente as instruções de submissão. Pode parecer óbvio, mas muitos manuscritos são rejeitados logo nesta fase porque os autores não seguem as regras indicadas.

Se a editora pede envio digital, envia digital. Se pede uma sinopse de uma página, não envies dez. Se pede os primeiros capítulos, não envies o livro inteiro.

Respeitar as orientações demonstra profissionalismo.

O e-mail de apresentação

O e-mail deve ser curto e claro.

Tenta mostrar que acreditas no teu projeto. Se não acreditares tu que és o autor, por que deveria acreditar a editora?

Não precisas de contar toda a história nem de explicar o universo inteiro.

Não precisas de escrever três páginas sobre o processo criativo.

O objetivo é despertar interesse suficiente para que o editor queira abrir os ficheiros anexados.

Depois de enviar

Agora vem a parte mais difícil: Esperar.

As respostas podem demorar vários meses. Por vezes não chegam.

É normal.

Não envies mensagens constantes a perguntar se o manuscrito já foi lido.

Não interpretes o silêncio como uma avaliação da tua qualidade enquanto escritor.

A publicação depende de muitos fatores para além da qualidade do texto.

Aprende a conviver com o “não”

A rejeição faz parte da vida de praticamente todos os escritores.

Receber um “não” não significa que o manuscrito não tenha valor ou que sejas mau escritor. Significa apenas que, naquele momento, não encontrou lugar naquela editora.

Revê o material. Melhora a sinopse. Ajusta a apresentação. Tenta novamente.

Se nunca enviares o manuscrito, a resposta será sempre não. Para receber um sim, primeiro tens de ter coragem para o enviar.

O teu manuscrito está realmente pronto para ser enviado?

Muitos manuscritos são rejeitados antes mesmo de terem uma oportunidade real porque ainda precisam de trabalho a nível de estrutura, ritmo, personagens ou escrita.

Se queres perceber se o teu manuscrito está pronto para ser enviado a editoras, posso ajudar-te através da Avaliação de Manuscrito.

Receberás um relatório detalhado com os principais pontos fortes e aspetos a melhorar, comentários diretamente no texto e uma sessão de esclarecimento para discutirmos o projeto.

Podes marcar uma sessão de apresentação gratuita comigo para saberes mais e perceber se este serviço é adequado para o teu livro.