Avaliar o Ano Com Clareza

Todos os anos, por esta altura, surge aquela pressa silenciosa:
“Tenho de fechar o que ficou por fazer.”
“Devia ter avançado mais.”
“Este ano escapou-me…”

Mas antes de te lançares em metas para o próximo ano ou em promessas apressadas, quero convidar-te a fazer algo essencial:

Olhar para o teu ano com humanidade — não com culpa.

Porque tu não és apenas escritora.
Ou apenas mãe.
Ou apenas trabalhadora.
Ou apenas filha.
És tudo isso e muito mais ao mesmo tempo.

E avaliar o ano exige que olhemos para a nossa vida inteira… não apenas para uma parte dela.

O Primeiro Passo: Lembrar Quem És (Todos os Papéis Que Carregas)

Antes de te perguntares “O que falhou?”, pergunta-te:

Quem fui eu este ano?
Quais foram os papéis que precisei de assumir?

A maior parte das pessoas nunca faz este exercício e depois acha que “não fez nada”.
Mas quando colocas tudo no papel, percebes a quantidade imensa de coisas que fizeste e seguraste.

Quero que cries uma lista dos teus papéis reais.
Exemplos:
— Mulher
— Amiga
— Filha
— Parceira
— Trabalhadora
— Escritora
— Leitora
— Cuidadora (de filhos, pais, animais)
— Gestora da casa
— Estudante
— Cidadã
— Pessoa que está a tentar sobreviver à vida

Cria a Tua Esfera do Ano

Agora, inspira-te no modelo da imagem e desenha a tua “esfera da vida”:

  • divide um círculo em fatias (uma para cada papel)
  • marca de 1 a 10 quanto é importante para ti, quanto foco queres que tenha na tua vida
  • depois marca quanto foi o foco real que deste a cada área em 2025

E atenção:
Inclui tudo o que não planeaste mas que te exigiu energia.

Exemplos:

  • a tua mãe magoou-se e precisou de ti
  • o teu filho adoeceu
  • tiveste horas extra no trabalho durante semanas
  • um imprevisto financeiro
  • uma mudança de casa
  • lutos pequenos ou grandes
  • burocracias que te roubaram dias
  • problemas de saúde
  • exaustão emocional acumulada

Tudo isto conta.
Tudo isto influencia.
Tudo isto altera prioridades — mesmo quando não queres.

Se o foco real e o foco desejado forem iguais numa área importante, isso é uma vitória gigante, mesmo que os resultados não tenham sido exatamente os que esperavas.

Às vezes, a intenção foi perfeita.
O caminho é que teve curvas.

Na maioria dos casos, infelizmente, tem mais este aspeto e sabemos que algo tem de mudar.

Encontra as Pequenas Grandes Vitórias

Muitas vezes, os objetivos falham porque…
… eram irreais,
… não tinham estrutura,
… dependiam de condições difíceis,
… a vida atravessou o plano,
… ou simplesmente cresceste noutro sentido.

Mas mesmo quando um objetivo não se cumpre, há pequenos passos que valem ouro.

Quero que perguntes a ti mesma:

O que consegui este ano — mesmo sem ter sido planeado?

Pequenos exemplos que valem muito:

  • Passei mais tempo com quem amo.
  • Fiz uma viagem que me mudou.
  • Fui mais vezes ao cinema.
  • Li mais do que no ano anterior.
  • Tive mais cuidado comigo.
  • Consegui manter a casa arrumada de forma mais fluida.
  • Ganhei coragem para começar algo novo.
  • Sobrevivi a meses difíceis.
  • Escrevi mais (ou melhor) do que no ano passado.
  • Aprendi algo que não sabia que precisava.

A escrita não existe isolada — existe dentro de uma vida.
E uma vida feita de muitos papéis nunca é linear.

O Que Importa Não É o Resultado — É a Intenção

Antes de te culpares pelo que não aconteceu, pergunta:

— O que é aprendi este ano?
— Em que áreas precisei de me superar?
— Onde dei o meu melhor, mesmo quando ninguém viu?

O esforço é tão importante quanto o resultado.
Às vezes mais.

Porque escrever — e viver — não é sobre perfeição.
É sobre persistência.
É sobre voltar.
É sobre crescer, mesmo quando parece lento.

Nos próximos artigos, vamos avaliar o teu ano de escrita e aprender estratégias para a definição clara de objetivos e técnicas de como conseguir cumprir com eles.

Hoje…
…hoje basta isto:
— Reconhece quem foste.
— Valoriza o que fizeste.
— Olha para ti com o carinho que mereces.
— E respira — porque ainda há tanto para escrever.

Lembra-te, não precisas de fazer tudo sozinha, estou aqui para ajudar.