Analisa o Teu Ano de Escrita

O que escreveste (e o que não escreveste)

Não te foques apenas no quanto avançaste no teu projeto principal.
Olha para a tua escrita como um todo.

Pensa:
✔ no manuscrito principal,
✔ nos exercícios de escrita,
✔ nos contos,
✔ nas notas soltas,
✔ nas ideias que escreveste “só para não esquecer”.

Quanto fizeste na realidade? Afastaste-te muito do que planeaste? Sentes que poderias e seria melhor ter focado mais?

Pensa também:
✔ quanto escreveste,
✔ quanto editaste,
✔ quanto reviste.

Pergunta-te, com curiosidade — não com julgamento:
— Que textos escreveste este ano?
— Que projetos avançaram?
— Que projetos ficaram parados?
— Algum texto te surpreendeu?

Importante: texto na gaveta continua a ser escrita.
Texto abandonado também ensina.

Não avalies apenas quantidade. Avalia presença.

Compara versões, não expectativas

Um exercício poderoso (e pouco usado): Pega num texto que escreveste no início do ano e compara com um mais recente.

Observa:
✔ clareza de linguagem,
✔ consciência de estrutura,
✔ profundidade emocional,
✔ diálogos,
✔ segurança na voz.

Pergunta-te:
— Escrevo de forma mais consciente?
— Tomo decisões mais claras?
— Reconheço melhor os meus pontos fortes e fracos?

Mesmo que tenhas escrito menos, a qualidade pode ter crescido muito.
O crescimento de um escritor não se mede só em quantidade — mede-se também em qualidade e consciência.

Avalia o teu foco — não só os resultados

Tal como no exercício da esfera do artigo anterior, avalia agora o foco que deste à escrita.

De 1 a 10:
— Quanto espaço real teve a escrita na tua vida este ano?
— Esse valor corresponde ao que era possível para ti?
— Corresponde ao foco que querias ter?

Se o foco foi menor do que desejavas, pergunta:
— Foi falta de tempo?
— Falta de energia?
— Falta de direção?
— Objetivos pouco realistas?
— Ou simplesmente a vida a pedir prioridade noutros lugares?

Manter intenção num ano difícil já é uma vitória.

Ferramentas para medir quanto escreveste

Se usas Google Docs ou Word, podes:
✔ comparar o número de palavras de um documento em dezembro do ano passado com o atual,
✔ usar o histórico de versões (no Google Docs) para perceberes em que períodos escreveste mais,
✔ verificar quantos dias estiveste ativa na escrita.

Para o próximo ano, podes:
✔ registar sessões de escrita numa agenda,
✔ usar um caderno simples de acompanhamento,
✔ usar uma aplicação de controlo de hábitos,
✔ ou trabalhar com uma folha de Excel dedicada à escrita.

O objetivo não é criar obrigação diária, mas ganhar clareza no final do ano.

Criei dois ficheiros simples, disponíveis no Etsy, para este acompanhamento:
Book Progress Tracker
Book Progress Tracker – with charts

Formas de medir progresso:
✔ número de sessões de escrita,
✔ capítulos concluídos,
✔ versões revistas,
✔ feedback recebido,
✔ decisões tomadas (ex.: reestruturar, cortar, reescrever)

Tudo isso é trabalho de escrita.

Formação de escrita

O crescimento de um escritor vem sobretudo da prática, mas não só.

Considera também:
✔ webinars ou workshops em que participaste,
✔ cursos,
✔ feiras do livro,
✔ livros que leste,
✔ feedback que recebeste (ou pediste),
✔ textos que partilhaste com outros.

Aprendemos a escrever a escrever, mas também a ler, a ouvir e a rever.

Para além do texto

Hoje, escrever envolve mais do que escrever.

Conta também:
✔ se criaste ou trabalhaste o teu perfil de autora,
✔ se preparaste sinopses, cartas de apresentação ou CV,
✔ se enviaste textos para editoras ou concursos,
✔ se participaste em eventos literários,
✔ se investiste tempo a pensar no teu caminho enquanto escritora.

Tudo isso é investimento.

Avalia também:
✔ se esta parte ocupou mais tempo do que desejavas,
✔ se a escrita sofreu por isso,
✔ se no próximo ano faria sentido delegar ou simplificar algumas tarefas.

Celebra as pequenas vitórias (mesmo as invisíveis)

Escritores tendem a desvalorizar vitórias que não resultam num livro terminado.

Mas vitórias também são:
✔ voltar a escrever depois de parar,
✔ acabar um capítulo difícil,
✔ perceber melhor o que não funciona,
✔ aprender a dizer “não”,
✔ ler mais,
✔ observar mais,
✔ aceitar que este não foi o ano certo para certos projetos.

Anota tudo o que contribuiu para a tua identidade como escritora — mesmo que não tenha produzido páginas.

Avaliar não é julgar — é ganhar clareza

Este exercício não serve para te culpar nem para te pressionar.

Serve para:
✔ perceberes onde estás,
✔ compreenderes o teu ritmo real,
✔ ajustares expectativas,
✔ preparares decisões mais conscientes para o próximo ano.

Sem esta etapa, os objetivos de janeiro tornam-se promessas vagas — ou fontes de frustração.

A escrita é um caminho longo.
E cada ano — mesmo os mais silenciosos — deixa marcas importantes.

Se sentires que precisas de um olhar externo para analisar o teu percurso ou estruturar os próximos passos, podes sempre marcar uma reunião gratuita comigo. Conversamos com calma e vemos juntas o que faz sentido para ti neste momento.