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Criar um mundo pode ser uma das partes mais fascinantes da escrita.
Desenhar mapas.
Inventar culturas.
Construir sistemas mágicos, religiões, histórias antigas.
Para muitos escritores, especialmente na fantasia, o worldbuilding é o primeiro passo natural.
E há algo importante a dizer: conhecer profundamente o mundo da tua história pode ser uma enorme vantagem.
Quando sabes exatamente onde tudo está, como funciona e quais são as regras daquele universo, escreves com uma segurança diferente.
Sabes a que distância ficam os lugares.
Sabes como as pessoas vivem naquele mundo.
Sabes que limitações existem.
Essa confiança nota-se na escrita.
As descrições tornam-se mais naturais.
Os movimentos das personagens fazem sentido dentro do espaço.
É mais fácil criar conflitos credíveis.
E, talvez mais importante, reduz significativamente o risco de incoerências.
Mas isso não é obrigatório para começar a escrever.
O risco de construir demais
Muitos escritores passam meses, ou até anos, a desenvolver um mundo inteiro antes de escrever a história.
Criam continentes completos, cronologias milenares, sistemas políticos complexos… para depois perceberem que a narrativa acontece apenas numa pequena parte desse universo.
O problema não é o worldbuilding.
O problema é quando ele substitui aquilo que realmente te trouxe aqui: escrever a história.
O mundo existe para servir a narrativa, não para a adiar.
Começa pelo espaço da história
Em vez de tentares construir o mundo inteiro de uma vez, pode ser mais útil começar pelo espaço onde a narrativa realmente acontece.
— Uma cidade.
— Uma região.
— Uma comunidade específica.
Conhece bem esse lugar.
— Como funciona?
— Quem vive ali?
— Que tensões existem?
— Que histórias antigas influenciam aquele espaço?
O resto do mundo pode crescer à medida que a história também cresce.
Organizar tempo para criar e tempo para escrever
Uma estratégia simples que ajuda muitos escritores é separar momentos diferentes para cada tipo de trabalho.
Por exemplo:
— definir certos dias da semana para worldbuilding
— dedicar outros momentos exclusivamente à escrita
— ou dividir o tempo em blocos (uma parte para planear, outra para narrar)
A organização não precisa de ser rígida, mas ajuda a garantir que o mundo cresce ao mesmo tempo que a história avança.
Porque dedicar tempo à narração é essencial.
Capturar ideias sem perder o ritmo
Durante a escrita, é natural surgirem novas ideias para o mundo.
Uma cultura que precisa de ser aprofundada.
Uma cidade que ainda não está bem definida.
Uma regra do sistema mágico que precisa de ser ajustada.
Em vez de parar tudo para resolver isso naquele momento, guarda a ideia.
Podes usar:
— um post-it
— um documento de notas
— uma lista de worldbuilding
Assim, não perdes a informação e podes explorá-la mais tarde, nos momentos dedicados a construir o mundo.
Este sistema simples ajuda a manter duas coisas fundamentais: continuidade na escrita e coerência no worldbuilding.
O mundo não precisa de estar completo
Muitos mundos literários cresceram livro após livro.
O autor conhecia bem o espaço da história inicial e foi expandindo o universo à medida que novas narrativas surgiam.
Não precisas de ter todo o mundo resolvido antes de começar.
Precisas apenas de ter o suficiente para contar a história que queres contar agora.
No fim, o que importa é a história
Worldbuilding é uma ferramenta poderosa. Pode dar profundidade, coerência e riqueza à tua narrativa. Mas o leitor não segue mapas. Segue personagens.
E essas personagens só ganham vida quando a história começa a ser escrita.
Deixo-te uma pergunta simples: Quanto tempo tens dedicado a construir o teu mundo… e quanto tempo tens dedicado a escrever a história?
Se quiseres, responde a esta pergunta e conta-me como organizas o teu processo de criação. Podes enviar e-mail a: info@anaritabnovais.pt